You are here:  / Críticas / Destaque / Trailers / DEUS E O DIABO NA TERRA DO SOL

DEUS E O DIABO NA TERRA DO SOL

O cinema nacional precisou se reinventar para não morrer por conta de diversas dificuldades que os profissionais encontravam para realizarem seus filmes nas décadas de 50 e 60. O método encontrado para sobreviverem foi trazer determinadas ferramentas utilizadas nas Nouvelle Vagues e também nas obras italianas e moldar o Cinema Novo.

Em ‘Deus e o Diabo na Terra do Sol’, o diretor Glauber Rocha determina os rumos da vida de seu protagonista linearmente, ou seja, existe o início, o meio e o fim, como ocorre nas poesias aristotélicas e no neo-realismo, mesmo que sua montagem tenha alguns cortes bastante bruscos.

Há uma aproximação da realidade, quando a câmera incômoda e com traços bastante amadores – ela não se movimenta em cima de tri-pé ou de gruas, Glauber a utiliza, literalmente na mão, tremendo-a e balançando-a propositadamente –, foca nas pessoas que vivem e sofrem no sertão nordestino, que se prendem na fé e em ‘profetas’ para aliviar suas dores. Isso é um dos quatro pontos fundamentais de Aristóteles em suas poesias, que diz que: “a poesia imita a realidade e com isso produz uma forma de prazer, mesmo quando o que imita é, na realidade, desagradável. A verossimilhança deve ser entendida como verossimilhança do possível, não do factual.”

Glauber não está interessado em mostrar um Brasil bonito, cheio de praias e belezas naturais, como se é de costume, mas sim, toda agrura e sofrimento de um povo que nunca teve condições minimamente adequadas e que foram esquecidos, vivendo numa terra sem lei, onde quem manda é aquele que tem mais dinheiro e propriedades, levando o espectador a se sentir incomodado, pois percebe que o trágico e o cotidiano se misturam ali.

Manuel, o protagonista do filme, interpretado por Geraldo Del Rey, começa como um homem honesto. Matar pessoas nunca foi seu intuito, mas no decorrer do filme, há uma mudança drástica em suas atitudes, principalmente por ver que nunca haverá a justiça que ele almeja.

O desfecho, um tanto poético e reflexivo, mostra apenas uma praia e as ondas indo e voltando, como se após toda aquela epopéia, Manuel tivesse conseguido rumar para uma vida nova, onde o passado continuará em sua memória, mas que a cada dia tais lembranças vão se fragmentando, até jamais serem lembradas.

Título Original: Deus e o Diabo na Terra do Sol
Ano Lançamento: 1964 (Brasil)
Dir: Glauber Rocha
Elenco: Othon Bastos, Geraldo Del Rey, Sonia Dos Humildes, Maurício do Valle, João Gama

ORÇAMENTO: —
NOTA: 7,5

Comente via Facebook

Comentários

LEAVE A REPLY

Your email address will not be published. Required fields are marked ( required )

Críticas

Séries

Games

Canal Cinema e Pipoca