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TROPA DE ELITE 2 – O INIMIGO AGORA É OUTRO

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Hoje, excepcionalmente, a crítica mudará de dia porque não aguentei e tive que postar o texto de ‘Tropa 2’.

Não haveria época melhor para o lançamento de ‘Tropa de Elite 2 – O Inimigo agora é Outro’ do que agora. Pois temos o 2º turno das eleições e José Padilha bate de frente com toda máfia governamental existente, não só no Rio de Janeiro ou em Brasília, mas em qualquer outra cidade. Seria interessante colocarem Dilma e Serra para assistirem este sucesso e aprenderem que no horário eleitoral ou em debates nas redes de televisão, é mais contundente falar sobre como tratarão as questões públicas do país, do que se preocuparem em atacar um ao outro, pois de ‘fofoquinhas eleitoreiras’ nossas caixas de e-mail já estão abarrotadas.

Se no episódio anterior, víamos como alvo os traficantes e a tentativa de desmantelar toda sujeira feita por eles, aqui o ‘buraco é mais embaixo’ e Padilha mostra como as milícias foram se formando e se fortalecendo nas comunidades carentes. Na verdade, o roteiro não perdoa ninguém e abrange uma gama enorme de informações que deixam o espectador revoltado e pasmo – mesmo já sabendo que tudo aquilo acontece em nosso dia a dia.

Torna-se um amálgama entre qual poder é mais podre, enganatório e mesquinho: a mídia, com seu sensacionalismo cego e exacerbado ou a política e seus ciclos viciosos. Como diz Nascimento ao final: “Apenas 5 ou 6 deputados tem ficha limpa neste Congresso”. E é praticamente um grito de libertação, pois serve também para expor o quanto a grande maioria das emissoras estão se lixando com o espectador, que prefere a burocrática sensação de conformismo, do que algo mais crível.

Semana passada estava conversando com um primo adolescente (que diz ter consciência política) e ele comentou que ‘não tinha tempo para ver ‘Tropa 2’ nos cinemas’, mas estava procurando um link para baixá-lo pois não havia encontrado em nenhum camelô. O problema nisso tudo é que ele irá assisti-lo apenas por causa do hype momentâneo e a tal consciência política, que numa hora dessas seria interessante continuar exercendo, vai embora, simplesmente, por não ser viável naquele instante. É mais ou menos assim que boa parte dos políticos e seus esquemas partidários agem, ou seja, quando há interesse vão de encontro com a população, quando não há, poupam esforços para ajudá-las.

O roteiro de Padilha e Bráulio Mantovani prova que apesar disso, existem deputados de caráter que não se corrompem e lutam por reais melhorias. E Wagner Moura, André Ramiro, Seu Jorge, Milhem Cortaz e, principalmente, Sandro Rocha, interpretam seu personagens com naturalidade monstruosa, fazendo com que nenhuma cena seja gratuita – o silêncio de Nascimento no enterro de um personagem é prova disto.
Vai além de ser apenas o melhor filme nacional do ano, é também corajoso e irretocável.

Título Original: Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro
Ano Lançamento: 2010 (Brasil)
Dir: José Padilha
Elenco: Wagner Moura, Seu Jorge, Tainá Müller, Maria Ribeiro, André Ramiro, Milhem Cortaz, Irandhir Santos, Pedro Van Held, Sandro Rocha

ORÇAMENTO: 16 Milhões de Reais

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Comentários

5 COMMENTS

  • Apesar de um pouco didático, o filme realmente é o melhor do ano. E não estou restringindo aos filmes brasileiros.

    Wagner Moura revive o herói (ou seria anti-herói??) brasileiro mais importante que já foi criado no cinema, e dá um soco em toda a sociedade. Apesar de criticar o sistema político, critica também a sociedade que é complacente com o sistema de corrupção. Esse seu primo (que eu conheço muito bem) está cometendo um ato de corrupção ao comprar tentar comprar um dvd pirata… isso não é ser corrupto também?

    A qualidade dos políticos reflete o caráter da sociedade.

    Abraços!!

  • É O MELHOR FILME DE 2010.

  • Opa, é bom assim mesmo? Quero muito assistir, se der tempo, vou hj mesmo!

  • O melhor filme brasileiro que assisti, sem dúvida. O primeiro foi muito bom e este é excelente. Mostra com clareza como nós, policiais, ficamos a mercê dos interesses escusos dos altos escalões da polícia e da política. E olha que esse filme não mostra nem a metade. Sou P.C. em Sampa há 33 anos e posso afirmar que sinto nojo dessa instituição, comandada por veradeiras ratazanas de esgoto.Filmaço!!!

  • Eu senti uma raiva (acredito que todos que estavam no cinema sentiram também), na hora em que ele batia naquele politico, era como se fosse a vontade do povo….

    De quebrar a cara desses politicos sem-vergonha que inundam a politica…

    Ah, e quanto ao filme…. "é o pica das galáxias".

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