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OS OITO ODIADOS

Quem é fã de cinema sabe do potencial criativo e narrativo de Quentin Tarantino, um cara ousado, que virou Hollywood pelo avesso, primeiro com ‘Cães de Aluguel’ e depois com ‘Pulp Fiction’, só para citar alguns exemplos de sua inigualável filmografia. Já prometeu entregar dez filmes antes de aposentar, definitivamente, do posto de diretor e ‘Os Oito Odiados’ é sua tão aguardada oitava obra.

A assinatura dele está ali, conforme já esperávamos, mas existem aspectos que mostram um certo desequilíbrio na escolha da narrativa e, principalmente, no cansativo corte final de duas horas e quarenta e sete minutos (poderiam tirar vinte minutos que o espectador agradeceria!). Ele segue a premissa de seu filme de estreia, pois temos diversas pessoas pouco confiáveis, num ambiente fechado (mas aqui não existe a sensação de claustrofobia), lutando para saber quem é o verdadeiro culpado, ou seja, o molde já estava montado.

Mas, vejam vocês, o silêncio, que é uma das grandes sacadas de Tarantino em algumas passagens de ‘Kill Bill’, por exemplo, aqui só serve para dispersar a atenção do público, por serem, em sua maioria, longas demais (vide a cena inicial). Mas, a contraponto disso, ‘Os Oito Odiados’ condensa bem as personalidades de cada personagem e Jennifer Jason Leigh com sua inconstante Daisy Domergue se destaca com louvores.

A discussão sobre a questão racial vem de uma maneira brutal e brilhante, mas no terceiro ato, onde a mágica sempre acontece, aqui é quase anticlimática, com sua dose contestável de gore e um flashback pouco inventivo.

John Ruth está transportando a prisioneira Daisy Domergue e espera receber uma boa quantia em dinheiro por ela. Mas uma nevasca os atinge e arrumam abrigo numa espécie de armazém, onde encontram outras pessoas que também fogem da tempestade. Aos poucos, esses oito viajantes descobrem segredos que poderão ocasionar alguns confrontos entre eles.

Por fim, Tim Roth tem todas as características de Christopher Waltz em ‘Django Livre’ (sim, isso incomoda) e Michael Madsen está sem função, mas é na fotografia inacreditável e na trilha sonora soberba do mestre Ennio Morricone que mora a alma em ‘Os Oito Odiados’. Um filme tão grande (na questão do tempo) quanto o ego de seu diretor. Mas ele pode.

Título Original: The Hateful Eight
Ano Lançamento: 2016 (Estados Unidos)
Dir: Quentin Tarantino
Elenco: Samuel L. Jackson, Kurt Russell, Jennifer Jason Leigh, Walton Goggins, Tim Roth, Michael Madsen, Demián Bichir, Bruce Dern, James Parks, Channing Tatum, Gene Jones, Zoe Bell

ORÇAMENTO: 44 Milhões de Dólares
NOTA: 7,5

Por Éder de Oliveira

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