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Menino 23: Infâncias Perdidas no Brasil

Imagine que você é um professor de História explicando aos seus alunos sobre o período do nazismo e sobre a suástica. De repente, uma das alunas comenta que, na fazenda de sua família foram encontrados tijolos com este mesmo símbolo. Qual seria sua atitude?

Sydney Aguilar, professor e historiador, não pensou duas vezes e foi averiguar o caso. Quanto mais vasculhava, mais detalhes tenebrosos sobre um período quase esquecido surgiam. Belisario Franca viu potencial no material e trouxe à vida o maravilhoso documentário Menino 23: Infâncias Perdidas no Brasil.

Na investigação, o historiador montou o quebra cabeças que começou com a ligação de empresários e latifundiários com pensamentos fascistas e logo depois descobriu que um dos membros da família Rocha Miranda, uma das mais influentes da região, retirou 50 órfãos negros do Rio de Janeiro e os levou para Campina do Monte Alegre, no interior de São Paulo. O relato de Aloísio da Silva, o menino 23 do título e de José Alves de Almeida, o dois (pois todos eram reconhecidos pelos números), deixará qualquer espectador comovido, tamanha falta de humanidade contidas ali – a diferenciação por conta da cor da pele e o montante de dinheiro, era a desculpa para estes fazendeiros abusarem os garotos.

Menino 23: Infâncias Perdidas no Brasil

Foto: Poster do filme

Tive a oportunidade de assistir a palestra de Sydney na PUC-Campinas e apenas reforçou o quanto este tipo de história deve ser mostrado aos brasileiros, para que momentos tão estarrecedores como este não ocorra nunca mais.
Saindo do padrão entrevistado/entrevistador, Belisario edita cenas que reconstroem os cenários utilizando atores mirins, para intensificar ainda mais o poderio do longa. Assistir na atual circunstância em que o Brasil vive, servirá para abrir os olhos da população para questões como indiferença, intolerância e poder, três temas que jamais deveriam sair da pauta, ainda mais em um país tão preconceituoso quanto o nosso.

Menino 23: Infâncias Perdidas no Brasil foi um dos finalistas para a disputa de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar 2017. Não assisti o indicado ‘Pequeno Segredo’, mas garanto que precisa ser uma obra prima para ter conseguido a vaga ao invés deste.

Título Original: Menino 23: Infâncias Perdidas no Brasil
Ano Lançamento:2016 (Brasil)
Dir: Belisario Franca
Elenco: Sydney Aguilar, Aloísio da Silva, José Alves de Almeida

ORÇAMENTO: —
NOTA: 10,0

Por Éder de Oliveira

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Comentários

2 COMMENTS

  • Vc fala em intolerãncia, mas é melhor vc observar que essa turminha “gente boa” da PUC USP e demais escolinhas marxistas são os verdadeiros NAZISTAS E FASCISTAS que querem tomar o país a força, empurrando goela abaixo dos brasileiros que ser viado ou sapatona é normal e que o anormal é ser hetero! Que ser corrupto como “boas intenções” ou “para salvar os pobri” é aceitável! Que ser (ou se fazer) de ignorante e pouco letrado dá direito a qualquer canalha assassino de se postular pai dos pobres? ACORDA CARALHO! Esse é mais um daqueles filmes de propaganda stalinista que eu financiei com meu dinheiro suado entregue nas mãos de vagabundo que posa de herói mas que quer mesmo é só manter a maconha e a cocaína em dia com dinheiro dos outros!! Pra isso, usa essa cortina de “olha como ELES eram malvados e como NÓS OS ESQUERDISTAS somos virtuosos”, escondendo que tanto Nazismo como Fascismo são irmãos siameses do ESQUERDISMO!!!E pra completar a tal “investigação” foi feita por um “fêsso di istória” da PUC?? Que “por acaso” tinha uma aluna que “por acaso” tinha uma fazenda (maldita latifundiária!), que “por acaso” tinha uns tijolos, que “por acaso” tinham suásticas…Tá, hum, hum… vai que eu tô acreditando. A desinformação e a criação de novas verdades é o tipico serviço prestado pela tríade NAZI/FASCI/COMUNA. Vai vendo, vai vendo…

    • A contradição começa quando você diz que “PUC USP e demais escolinhas marxistas são os verdadeiros NAZISTAS E FASCISTAS que querem tomar o país a força, empurrando goela abaixo dos brasileiros que ser viado ou sapatona é normal e que o anormal é ser hetero!”, pois pelo que eu saiba, nazistas eram contra homossexuais. Pegue um livro de história e estude-o, antes de escrever qualquer besteira que lhe vier a mente. E sim, é completamente normal ser homossexual, assim como é normal ser hétero.

      E vamos deixar que histórias tão escabrosas como esta sejam esquecidas e que pessoas como os meninos não tenham direito a nada, nem a um passado? É por conta de pessoas assim que os Felicianos e Bolsonaros ganham força por aí e disseminam ódio, intolerância, homofobia e todos os outros malefícios da humanidade que já deveriam ter sido extintos.

      Aposto com todas as minhas forçar que o tal Dudu nem assistiu ao filme e veio ‘vomitar’ asneiras por aqui. Da próxima vez, nem precisa se dar ao luxo.

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