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ENTREVISTA COM O DIRETOR DO FILME ‘A ERA DOS CAMPEÕES – O FILME’

O Cinema e Pipoca entrevista o diretor Cesario Mello Franco, do documentário ‘A Era dos Campeões – O Filme’.

Cinema e Pipoca: Fale um pouco sobre sua carreira, até chegar ao filme ‘A Era dos Campeões’.

Cesario Mello Franco: Sou advogado de formação e trabalhei 8 anos no Brasil e no exterior, até largar aquela vida e virar empresário. Criei uma cerveja chamada Xingu, que depois vendi para a Heineken no Brasil e que segue sendo minha no resto do mundo. Exporto para
muitos países, como USA, Canadá, China, UK, Coréia do Sul, etc e é uma marca bastante famosa, mesmo que de pequeno alcance. Sempre estive ligado a literatura, tenho 2 romances publicados ( O Redentor, Objetiva, 1992, e O Passageiro, Agir,
2007), um site (hoje parado) chamado Palma Louca (www.palmalouca.com), fiz artigos, editei livros, fiz roteiros, etc. Comecei no cinema graças à minha amizade com o Cacá Diegues, que me incentivou muito a lançar o Redentor. Daí me meti a trazer o Instituto Sundance para o Brasil (1996), conheci meu amigo Marcos Berstein, que já era um roteirista consagrado, fizemos nossa produtora, e eu então quis realizar A Era dos Campeões. Marcos adorou e fomos em frente.

CP: Como surgiu a ideia de se fazer um documentário falando sobre os pilotos brasileiros da Fórmula 1?

CMF: Sempre gostei de automobilismo e de velocidade. Sou filho de diplomata e quando morávamos no exterior meus irmãos e eu assistíamos muito a coridas de Formula 1 e Le Mans na TV (final dos anos 60). Morávamos na Suissa e eu e meus vizinhos tínhamos motos e corríamos nos campos de lá. Quando vim morar no Brasil, o Fittipaldi estava levando à frente sua brilhante carreira e isto me marcou muito. Depois veio o Piquet, e depois o Senna. Depois de escrever meu primeiro romance, tive muita vontade de contar a história destes 3 pilotos e daquele curioso período de 71 a 94, quando não ganhamos nada no futebol e tivemos três grandes pilotos dominando a Formula 1 mundial.

CP: Qual seu grau de fanatismo com o esporte e dentre todos estes pilotos, qual o que mais se destaca ou teve maior importância para você?

CMF: Continuo fascinado pela Formula 1 e assisto sempre. Não consigo escolher um piloto mais importante ou preferido meu. Conhecer o Fittipaldi e o Piquet foi uma experiência fascinante. Ambos têm um carisma muito grande, muita inteligência, e cada um ao seu modo usou seus maiores dotes com grande sabedoria e sucesso. Pelo que vi do Senna nas buscas que fiz para o filme, me pareceu um homem extraordinário em todos os sentidos. Na época da rivalidade Piquet/Senna, fiquei um pouco do lado do Piquet, pois gostava muito do jeito franco e irreverente dele, mas hoje avalio diferentemente, os dois são grandes figuras, cada um com suas qualidades e defeitos, como todos nós, e acho que atrás daquela rivalidade havia entre eles uma enorme admiração, mesmo que manchada pelos eventuais deslizes que possam ter sido cometidos. No filme chamado Senna você poderá ver como o Piquet intervem para defendê-lo daquele idiota chamado Ballestre.

CP: Usaram muitas imagens raras? Houve alguma dificuldade para conseguí-las?

CMF: Usamos muitas imagens originais e pouco ou nunca vistas. Ficou muito caro comprar as imagens oficiais da FOA (de 91 a 94), então enveredamos por uma busca que nos levou a descobertas deliciosas e tornou o filme bem diferente dos especiais que se vêem sobre F1.

CP: Foi muito difícil conseguir apoio de investidores para o projeto?

CMF: Foi muito difícil conseguir dinheiro para o filme sim. A Formula 1 é um business muito grande e muito fechado, e se você faz um filme que não está dentro do círculo de negócios deles fica muito difícil conseguir apoio, mas com a ajuda da Texaco (hoje Ipiranga) e da Oi, fechamos o projeto.

CP: Para quem se interessou, existe a possibilidade de adquirir o DVD do filme em algum site?

CMF: O filme participou do Festival do Rio (foi indicado para melhor direção), de outros festivais no exterior, e foi lançado pelo Canal Brasil. Estamos ngociando seu lançamento pelo iTunes mundial, e haverá lançamento do DVD no ano que vem.

CP: Como você vê essa evolução do Cinema Nacional no atual momento? E tem outros projetos engatilhados para um futuro próximo? Se sim, poderia nos falar um pouco sobre eles?

CMF: O cinema nacional evoluiu muito desde que me meti nisso (96) até hoje. Vejo mais a evolução no nível técnico do que própriamente artístico. Som, imagem, montagem, e mesmo inetrpretações estão excelentes. Faltam bons roteiros e boas histórias. Firmou-se o cinemão comercial espelhando o que vemos na TV, mas estamos carentes de bons filmes. Acredito que com o tempo nascerão os grandes realizadores (digo apenas no sentido artístico, não menosprezando os excelentes diretores que temos hoje) e os incentivos servirão mais para estes e para os que arriscam em busca da arte, deixando os projetos mais comerciais para que se financiem diretamente através das suas estruturas próprias de negócios (distribuidores, tvs etc).

Tenho vários projetos em curso: Um seriado para TV chamado Os Profissionais, um Longa Metragem chamado Cabeça de Touro, outro chamado O Nordeste é Aqui, uma peça do Neil Labute que adaptei chamada Tão Longe Daqui, e um filme que estou dirigindo sobre o Rio dos anos 30 chamado Circuito da Gávea. Tenho também um filme do Manoel de Oliveira para produzir.

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