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ENTREVISTA COM O DIRETOR DE ‘QUANDO EU ERA VIVO’

Diretor nacional premiado, Marco Dutra fala sobre seu filme ‘Quando eu era Vivo’, protagonizado por Marat Descartes, Sandy Leah e Antonio Fagundes, sobre sua carreira e seus projetos futuros. Segue a entrevista na íntegra logo abaixo. Espero que gostem!

Cinema e Pipoca: Nos conte um pouco sobre como foi o processo de compra dos direitos de filmagem do livro de Lourenço Mutarelli, que inspirou ‘Quando eu era Vivo’.
Marco Dutra: O produtor Rodrigo Teixeira tem uma relação de longa data com o escritor Lourenço Mutarelli. O livro “A arte de produzir efeito sem causa”, inclusive, é dedicado ao Rodrigo. Eu conheci profundamente a obra do Lourenço em 2008, quando trabalhei como roteirista na adaptação de um dos seus quadrinhos (que ainda não foi filmada). Confessei ao Rodrigo que o livro “A arte…” havia me interessado muito, mas ele disse que, apesar de ter os direitos, ainda não era hora de trabalhar numa adaptação. Anos depois, em 2011, Rodrigo me ligou e disse que a hora havia chegado. Em 2012 estávamos no set. E agora chegamos à estreia internacional Em Roma.

C&P: Fale um pouco sobre sua carreira, até chegar em ‘Quando eu era Vivo’.
MD: Me formei em Cinema na USP em 2003. Os amigos que conheci na faculdade, como Juliana Rojas, Caetano Gotardo e Daniel Turini, ainda são parceiros de trabalho até hoje. Com a Juliana desenvolvi uma importante e longa parceria na direção. Fizemos juntos muitos curtas, entre eles “O Lençol Branco”, nosso TCC, e “Um Ramo”, ambos exibidos em Cannes. “As Sombras” é um curta que fizemos como homenagem ao diretor Walter Hugo Khouri e que pouca gente viu. Tenho grande carinho por ele. Eu e Juliana realizamos juntos nosso primeiro longa, “Trabalhar Cansa”, que estreou em Cannes em 2011. Essas parcerias me ensinaram tudo o que sei. Formamos o coletivo Filmes do Caixote para nomear o grupo, ao qual se juntaram muitos outros parceiros ao longo dos anos, especialmente Sergio Silva e João Marcos de Almeida. Fora isso, tive o prazer de trabalhar como montador nos curtas da Gabriela Amaral Almeida, que é co-autora do roteiro de “Quando eu era vivo”, e também como compositor nos longas “O que se move”, de Caetano Gotardo, e “Sinfonia da Necrópole”, de Juliana Rojas, que ganhou o prêmio de melhor trilha original no Festival de Paulínia.

C&P: Sempre pensaram em Sandy Leah, Antonio Fagundes e Marat Descartes para os papeis principais ou tiveram outros nomes?
MD: Fagundes sempre foi o nome sonhado para o papel do pai, mesmo antes de eu estar envolvido com o projeto. Ele tinha lido o livro e declarado interesse ao próprio autor. Tê-lo no filme foi a realização desse sonho. Para Júnior e Bruna conversamos sobre diversas possibilidades. Marat é um velho parceiro, que havia feito comigo “Um Ramo” e “Trabalhar Cansa”. Voltar a trabalhar com ele foi um aprofundamento dessa parceria. Marat é apaixonado pelo papel, e podemos ver isso no tamanho da sua entrega. Como a Bruna é uma presença musical no filme, me seduzia a ideia de convidar uma cantora. Numa conversa noturna com o meu namorado Fernando Oliveira, o nome da Sandy apareceu. Foi um momento especial, de eureka. Apesar de o filme não se relacionar diretamente com o trabalho anterior da Sandy, não consegui mais ver outra pessoa como Bruna. O convite foi um risco – eu achava que o mais provável era que ela não aceitasse. Mas ela se envolveu profundamente com o roteiro e topou o convite sem hesitar.

C&P: Por que acha que, hoje em dia, o terror mais psicológico, como é visto em vários momentos do filme, praticamente não existe mais?
MD: É sempre mais arriscado (e talvez menos comercial) fazer um filme que trabalhe mais com a sugestão e com o suspense do que com a busca por efeitos imediatos. Mas não sei se essa é uma característica apenas dos dias de hoje. Ainda há um bocado de thrillers psicológicos por aí, bons e maus. O horror gore está em alta, mas o sucesso de filmes como “The Conjuring” e “Cold in July” talvez anunciem uma onda diferente para os próximos anos.

C&P: É difícil fazer filme de gênero no Brasil? E a equipe teve muito trabalho para conseguir apoio de investidores para o projeto?
MD: É difícil trabalhar gêneros no cinema de uma maneira geral, porque há uma série de convenções para compreender e não se deve subestima-las. O horror e o suspense pedem uma precisão na execução que poucos diretores conseguem dominar. O mesmo acontece com a comédia. Qualquer passo fora da linha pode arruinar uma piada ou uma cena de suspense. Acho que é difícil fazer um bom filme de gênero em qualquer país. No Brasil, por sorte, há agora muita gente interessada em investigar e dominar variados gêneros. Isso me parece bom para todo mundo, especialmente para o público que queremos tanto conquistar. “Quando eu era vivo” é um filme de baixo orçamento. Sua realização dependeu do amor e da dedicação da equipe e do elenco, que se envolveu porque acreditou muito na força do projeto. E, claro, dos investidores e patrocinadores que viram o potencial dele.

C&P: Tem outros projetos engatilhados para um futuro próximo? Se sim, poderia nos falar um pouco sobre eles?
MD: Estou trabalhando em diversos projetos. Entre eles, “As Boas Maneiras”, longa de horror que vou dirigir com Juliana Rojas, e um roteiro novo para o diretor Karim Aïnouz. Estou também em preparação de um filme produzido pelo Rodrigo Teixeira sobre o qual ainda não posso falar.

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