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Cidade dos Sonhos, clássico de Lynch

Não deveríamos permitir que certos filmes faltassem em nossas estantes e muito menos que saíssem de nossas mentes. Mulholland Drive ou se preferirem o título em português Cidade dos Sonhos do diretor David Lynch (Homem Elefante), é um desses filmes que nos faz bem em ver; para quem ainda não o assistiu e, para os bons admiradores do cinema de arte e que apreciem uma boa história, em revê-lo.

História boa é o que não falta em “Mulholland Drive”. David Lynch é capaz de nos fisgar como trutas na ponta de um anzol, desde os primeiros instantes. É uma trama de suspense psicológico com doses de surrealismo, que o diretor nos conduz como que pelas mãos ardilosas de um hipnotizador.

A princípio, ele elaborou o projeto para uma série de TV da ABC depois do sucesso de Twin Peaks, mas acabou sendo cancelado pelo canal, fazendo David Lynch buscar parceria com um canal de TV da França para terminar o projeto em forma de filme. O resultado foi ótimo; porque se o roteiro tivesse sido picado em episódios poderia perder a sua força magnética. O filme é puro magnetismo!

Foi premiado no festival de cinema de Cannes pela direção majestosa de Lynch, além de ser estrelado por Naomi Watts, Laura Harring, Justin Theroux e ter a participação especial de Ann Miller.

Não dá para se falar muito porque se corre o risco de fazer com que o espectador venha a perder a surpresa da trama. É um roteiro muito bem elaborado, amarrado com personagens realistas, mas que beiram o fantástico.

Cidade dos Sonhos

Na história, uma linda mulher morena é conduzida pela estrada Mulholland Drive, em Hollywood, por dois homens que estão sentados nos bancos da frente do carro durante uma noite. Por essa estrada sombria e sinuosa começa a triste e intrigante trajetória de Rita (Laura Harring), que é ameaçada de morte por um dos homens, que para o carro no acostamento e lhe aponta uma arma. De repente, dois carros que vêm em sentido contrário, envolvidos num racha batem, provocando um grande acidente, mas Rita sobrevive e caminha desorientada em direção à Los Angeles. Ela entra num apartamento de um condomínio – deixado por uma viúva que está prestes a sair em viagem, para se abrigar daquele infortúnio e deixar somente que a noite terrível passe. Mas para a surpresa de Rita, surge a sobrinha da viúva para assumir o apartamento, interpretado por Naomi Watts que faz o papel de Betty Elms uma jovem radiante.

Betty Elms chega a Hollywood cheia de bagagens e sonhos em se tornar uma grande estrela de cinema. Mas ao encontrar Rita, sua vida começa a tomar uma cor mais sombria e, disposta a ajudar a estranha mulher que visivelmente perdeu a memória, Betty Elms tem a ideia de abrir a bolsa de Rita para ver se descobre alguma pista sobre o que aconteceu com ela, as duas acham uma grande quantia em dinheiro e uma chave azul. A partir desse momento, definitivamente não conseguimos parar de ver o filme e descobrir o seu verdadeiro final. David Lynch parece nos arrastar por uma estrada que vai além dos sonhos de uma bela jovem que anseia o show business.

Uma menção especial para a bela versão em espanhol da música “Crying”, que é cantada maravilhosamente por Rebekah Del Rio, num clube chamado Silencio.

Cidade dos Sonhos permeia o nosso imaginário, mesmo depois de seu término. O filme é inquietante e Hollywood é mesmo a Cidade dos Sonhos, mas para alguns pode se tornar a Cidade dos Pesadelos. A história é cheia de suspense e surrealismo, reviravoltas fantásticas, dramas e desesperos que nos faz sair da “rodovia da vida real” e nos conduz por uma alameda de estranhos dramas pessoais, mas não tira a nossa rota da estrada Mulholand Drive, mesmo que no final tudo se transforma em silêncio.

Por Wilson Roque Basso

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