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A 13ª Emenda e o caos do sistema carcerário

A questão racial sempre esteve muito presente não só nos Estados Unidos mas em todos os cantos do mundo, pois alguns seres humanos conseguem inferiorizar outros pela cor de sua pele. Ava DuVernay, diretora do excelente ‘Selma – Uma Luta pela Igualdade‘, amplia esta visão em A 13ª Emenda, documentário que concorre ao Oscar da categoria neste ano.

Sua capacidade de interligar os fatos de maneira fácil e precisa, traz ainda mais impacto e a trilha sonora lotada de batidas pesadas e letras confrontadoras, são uma das cerejas deste bolo indigesto. A linha temporal começa lá atrás, na época em que D.W. Griffith cria ‘O Nascimento de uma Nação‘, um dos filmes mais racistas de todos os tempos e pontua que negros eram causadores de todo o mal (desde roubos até estupros) e a Klu Klux Klan seriam os bem feitores.

Após a abolição da escravatura, o governo cria a 13ª emenda, que prevê: “Não haverá, nos Estados Unidos ou em qualquer lugar sujeito a sua jurisdição, nem escravidão, nem trabalhos forçados, salvo como punição de um crime pelo qual o réu tenha sido devidamente condenado.”, num contexto geral, é fácil entendermos o que ocorreu nas décadas seguintes, ou seja, um aumento da população carcerária (representa 25% do total no mundo) e uma diferenciação no modo de tratamento, tanto de policiais quanto dos próprios juízes nas sentenças e na mídia entre brancos e negros.

13ª Emenda

Foto: Poster do filme

As falas de todos os entrevistados, assim como os gráficos apresentados e as cenas históricas de personalidades como Martin Luther King ou Malcolm X, vão de encontro aos interesses de inescrupulosos empresários e da própria corrida presidencial americana. É aí que DuVernay coloca o dedo na ferida sem medo, mostrando como Nixon, Bill Clinton, Hillary Clinton e Donald Trump, jamais se importaram com medidas que, de fato, beneficiassem as classes minoritárias.

A 13ª Emenda vem para provar que se você, homem branco, de classe média e alta, que nunca passou por situações parecidas como essas e nunca fez o exercício de etnocentrismo, jamais entenderá a luta de negros contra o racismo, de mulheres contra o feminismo, de homossexuais contra a homofobia e de tantas outras classes. A venda ainda cega muita gente, mas ainda podemos retirá-la, basta você querer.

Título Original: 13th
Ano Lançamento: 2016 (Estados Unidos)
Dir: Ava DuVernay
Elenco: Michelle Alexander, Angela Davis, Cory Booker, Jelani Cobb

ORÇAMENTO: —
NOTA: 10,0

Por Éder de Oliveira

Indicações ao Oscar: Melhor Documentário

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